sexta-feira, 2 de maio de 2008

História da cerveja Sagrada

História
Os primeiros registos de uma bebida alcoólica feita a partir de cereais fermentados datam das civilizações Suméria e Assíria, há cerca de 10 mil anos, podendo ser considerada uma das mais antigas criações do Homem.
Nas antigas civilizações da Babilónia e do Egipto, onde existem testemunhos de uma indústria cervejeira florescente, a cerveja era oferecida aos deuses e era consumida por reis em festas importantes. Os egípcios atribuíam-lhe efeitos terapêuticos e as mulheres das classes altas utilizavam-na para fins cosméticos – para tornar a pele mais fresca e suave e tratar problemas de pele. Foi também por volta desta altura que foi criado, na Babilónia, o primeiro código que disciplina a venda de cerveja: o Código de Hammurabi, um dos textos mais antigos da Humanidade, que regulava uma ração diária de cerveja para os trabalhadores e suas famílias.

Foi também no Egipto que foi descoberta por arqueólogos a cervejaria mais antiga, datada de 5400 a.C. Esta fábrica produziria vários tipos de cerveja, a qual apresentava características muito diferentes da bebida que hoje conhecemos: era mais escura e forte.
A partir de 1000 d.C. a cerveja começa a generalizar-se, sendo bebida pelos povos Celtas, Germanos e Escandinavos. Durante a Idade Média, a produção de cerveja em maior escala começa a ser difundida na Europa por mosteiros da Suíça e da Alemanha, apresentando-se agora com novas características, resultantes da adição de ervas amargas e aromáticas, raízes, flores e frutas silvestres. Por volta de 1070 d.C. acrescenta-se ainda lúpulo.

Inicialmente de produção doméstica, a cerveja passa a ser produzida por artesãos especializados no século VII, o que se manteria até ao século XII, quando se dá a expansão da produção de cerveja na Europa, com o aparecimento de pequenas fábricas de cerveja, surgindo então as primeiras Confrarias da Cerveja.
No século XVI, Guilherme IV da Baviera decreta a Lei da Pureza, a qual determinou os ingredientes que podiam ser utilizados na produção de cerveja: cevada, lúpulo, malte e água.
A partir do século XVIII, com a Revolução Industrial, a produção começa a fazer-se em grande escala e o consumo expande-se. Um século mais tarde, as descobertas de Louis Pasteur permitem aperfeiçoar o processo de produção de cerveja – o uso da pasteurização permite dar à cerveja maior durabilidade, tornando possível o transporte a grande distância. Com a descoberta do processo de fermentação baixa, no século XIX, a cerveja tornou-se mais clara, suave e duradoura.

Foi neste século que o fabrico de cerveja recebeu um maior impulso, em parte graças ao trabalho do Professor Emil Hansen, do Laboratório da Carlsberg, que conseguiu resolver o problema do isolamento das leveduras responsáveis pela fermentação, a que juntaria mais tarde o contributo dos aparelhos frigoríficos, que permitiram manter os tanques de fermentação e as caves de guarda a temperaturas baixas durante todo o ano.

Com a evolução da tecnologia observou-se uma modernização das técnicas e procedimentos, sendo que o cervejeiro moderno é um engenheiro que conta com todos os recursos técnicos e sanitários para a elaboração de um produto perfeito.









Em Portugal, existem registos de consumo de cerveja desde o século XVII, época de que data um “Pátio da Cerveja” em Lisboa, na antiga Freguesia da Conceição Nova. No início do século XIX existiam já sete fábricas de cerveja e bebidas gasosas na cidade do Porto, a que se juntaria, em 1834, a Fábrica da Cerveja da Trindade, em Lisboa, no espaço actualmente ocupado pelas Cervejaria da Trindade, à qual se seguiriam muitas outras unidades de produção de cerveja.